Aula 1 – Introdução
Fevereiro 5, 2008
Com certeza, olhando para cá agora, você deve estar se perguntando “olha, eu realmente sempre quis aprender japonês, mas como?”. Com certeza, parece ser uma tarefa ridiculamente difícil, com o sistema de escrita confusa e a reputação de se ter um sistema de sentenças ainda mais confuso.
Vamos lá. Você quer aprender japonês. O mais rápido possível. AGORA!!!
Eu sei como é isso, porque já passei por isso. Mas o que deve ser tomado aqui em conta, inicialmente, são duas coisas:
1- O motivo pelo qual você quer aprender japonês;
2- Se você quer realmente se dedicar à isso.
Eu falo sobre o motivo para aprender japonês por um simples motivo: muitas pessoas desistem porque querem aprender japonês e acham que a tarefa será fácil. Ou então acham que serão capazes de ler/escrever/falar/entender a língua japonesa rápida e facilmente.
Quanto à dedicação, bem. Eu diria que isso é algo essencial para o aprendizado de qualquer coisa, não apenas uma língua. Se você não se dedicar, ou levar tudo mansamente, com certeza perderá muito tempo e terá uma curva de aprendizado muito mais lenta.
Não vou dizer que será uma tarefa fácil, mas não será nada impossível. Eu não considero a língua japonesa difícil. Apenas diferente.
Mas agora, vem a outra parte: “como é que VOCÊ vai me ensinar japonês?”. As aulas que eu colocarei aqui nesse blog o ajudarão (e veja bem a palavra que eu usei, AJUDARÃO) você a seguir o caminho correto. Logicamente, para os completamente novatos, eu começarei o curso supondo que você não sabe nada sobre japonês. NADA!!! Então, começaremos vendo como se estrutura uma frase em japonês, depois gramática, vocabulário, aquela velha história das frases essenciais, etc, etc. Até que eu ache que posso ir para um “próximo nível”, e ensinar coisas mais complexas, frases mais complexas e com mais elementos, partículas, e por aí vai. Basicamente, eu vou cobrir as seguintes partes:
- Motivação;
- Acompanhamento de livros já indicados (mais uma vez, se você não tem NENHUM deles fisicamente, não é problema, pois quando puder colocarei os arquivos aqui no blog);
- Língua falada, o que corresponde à:
– Gramática;
– Estrutura de frases;
– Expressões;
– Coisas do gênero
- Língua escrita (isso ocorrerá em um futuro próximo, não queremos atropelar nada, certo?):
– Kanji;
– Kana.
- E outras coisas (aceito sugestões do que vocês queiram).
Os maiores mitos sobre o japonês que eu tinha antes de aprender:
1- Japonês é difícil.
Como eu já disse antes, japonês NÃO É difícil. É diferente. Realmente, é bastante diferente do que português, espanhol, inglês, ou qualquer outra língua ocidental. Entretanto, a gramática é bastante direta. Para você ter uma noção disso, os verbos NÃO TEM CONJUGAÇÃO (na verdade, em formas mais polidas, as conjugações existem, mas deixemos isso pra lá por um bom tempo). Logicamente, existe conjugação para negativas e tempo passado, futuro, etc. Mas acabou. Só uma pessoa e morreu. E, uma coisa interessante para nós, brasileiros. A pronúncia é bem próxima do português (com algumas exceções, como as sílabas do grupo do “H”, onde o “H” não é mudo como no português, mas aspirado, como no inglês).
2- Se eu quiser aprender japonês, terei que saber todos aqueles “símbolos difíceis”.
Bem, os “símbolos” que se referem são os chamados KANJIS. Existem exatamente 2016 kanjis. É verdade que os kanjis são a parte mais complicada do aprendizado de japonês, mas eu deixarei os kanjis de lado, pelo menos pelas primeiras 4 ou 5 aulas. Nesse tempo nós aprenderemos o outro silabário japonês o hiragana e katakana. Mas todas as ulas serão dadas em caracteres romanos, como nós estamos acostumados, logo você não terá nada “absurdamente novo” pra aprender por enquanto.
3- Eu não tenho tempo pra aprender.
Essa era a minha preferida. Mas veja bem. Quando eu comecei a estudar japonês, eu fazia duas faculdades (e ainda faço), e ainda tenho um estágio. E ainda estudo. Então, eu queria que você visse as coisas por outro ponto: “Eu perco muito tempo fazendo nada/coisas inúteis”. É o que eu percebi e o que me mostro que era possível para mim arrumar tempo pra aprender japonês (e fazer esse blog, claro ;P). Em outras palavras: tenha um objetivo E CORRA ATRÁS DELE, que ele termina por se cumprir. Por mais ocupado que você seja.
4- Você DEVE aprender japonês em uma sala de aula ou outro ambiente formal.
Olha, eu digo que essa QUASE me levou a desistir. Eu tenho uma amiga que faz japonês em um curso formal. E foi isso que ela me falou. Eu pensei: “Bem, se ela disse, então…”. Aí ela ainda falou outra: “Eu acho que é impossível. Pelo menos pra escrever os caracteres.”. Uma semana depois eu já sabia todos os caracteres japoneses (me refiro aos silabários, hiragana e katakana). E eu não estou mentindo pra que você se sinta melhor. Veja bem. O que é uma sala de aula? Um local onde você tem a OPORTUNIDADE de aprender. Existem lá pessoas que vão para as salas de aula, mas não conseguem aprender nada, enquanto existem as que dominam várias áreas de conhecimento sem nunca terem pisado em uma sala de aula. Uma sala de aula é apenas uma maneira de aprender, não a única.
Mudando um pouco de assunto. Aprender japonês foi a primeira coisa que eu tentei fazer sozinho. Se esse for o seu caso também, não se preocupe. Eu o ajudarei a seguir o caminho certo. Mas também olhe por esse ponto: se você for para uma sala de aula, ainda é dever seu estudar, correto? Se você não se empenhar, você se ferra. Mas, se você não for às aulas e estudar em casa, você pode muito bem tirar “dez para dez”.
O que você deve ter em mente para poder aprender japonês é o seguinte:
Pense na língua japonesa não como uma língua “estrangeira”. Mas como uma língua “que você ainda não sabe”. A mesma coisa deve acontecer se você assistir um anime/NHK. Ouça as palavras e pense como “uma palavra que eu ainda não sei”. Acredite. Essa forma de pensamento positivo ajuda bastante. Caso você ainda esteja incrédulo, veja: se pensamento negativo pode te derrubar, porque pensamento positivo não pode te levantar?
Conseguir organizar seu tempo: apesar de que existem coisas que você precisa de tempo para estudar, para outras você precisa de tão pouco tempo quanto alguns segundos. Por exemplo: uma lista de palavras, ou um vocabulário. Você chega, pega a lista, dá uma olhada em 5 palavras em 10 segundos e tenta memorizar essas palavras. Você pode fazer isso várias vezes por dia, de tempo em tempo. Hora em hora, talvez, você quem sabe. A idéia é fazer um pouco de cada vez. Não adianta você fazer um esforço tremendo uma vez por mês, enquanto você poderia ter feito um pouquinho por dia. Lembre da fábula da lebre e da tartaruga. Devagar, mas sempre.
Aqui está uma analogia interessante que eu vi pela net uma vez:
(por James R. Beach)
Um professor entra na sala carregando uma garrafa de água vazia, com capacidade de 5 litros, e uma mala certamente bastante pesada. Ele coloca ambos na mesa dele, e, sem abrir a boca, ele começa a colocar pedras, do tamanho suficienter apenas para entrar na boca da garrafa. Ele faz isso até que as pedras chaguem na boca da garrafa. “Encheu?” ele pergunta. A classe afirma que sim. “Talvez não”, responde ele. Então ele pega pedrinhas menores, e coloca na boca da garrafa. Elas terminam por encontrar seu caminho pelas rochas. “E agora? Cheia?”. Toda a classe afirma que sim. Então, o professor coloca areia na garrafa, chacoalhando a mesma de tempo em tempo, enquanto os grãos preenchem a garrafa. “Agora encheu, certo?”, e toda a classe concorda.
O professor sorri. Ele então joga água dentro da garrafa até que uma outra garrafa fique completamente vazia. “A lição de hoje,” ele diz, “é que sempre há mais espaço nas nossas vidas do que nós achamos que há. Quando você achar que está sem tempo, com certeza terá mais se você procurar por ele.”
Aqui está o resumo pra economizar tempo:
As PEDRAS são as coisas mais importantes, que devemos fazer co regularidade para que sejamos bem-sucedidos em nossas tarefas. Elas devem ser colocadas na nossa “garrafa de tempo” primeiro, porque são mais importantes. As PEDRINHAS representam aquelas coisas que nós até não gostamos, mas devemos fazer. Elas vão em seguida. A AREIA representa as coisas que nós temos que fazer, até podemos gostar de fazê-las, mas não são tão importantes assim. Já a ÁGUA representa as pequenas coisas que fazem a diferença. Se você mudar a ordem, colocando primeiro água, depois areia, depois as pedrinhas, é quase certo de que não haverá espaço para as pedras. Então, priorize suas atividades e tenha certerza de que as pedras venham em primeiro lugar na sua agenda.
Então, a moral é: seja a língua japoneasa uma pedra ou água pra você, sempre há espaço para pelo menos um pouquinho disso por dia, se você estiver preparado para fazer quando a oportunidade surgir.
Ok, isso é tudo por agora. Na próxima aula, teremos muita coisa:
- Pronúncia;
- Modelos de frases;
- Partículas;
- Negativas;
- Verbos;
- O Kana!
Não perca (eu não perderia)
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